Junho 2019

Ciao,

Mais um Junho que chegou, mês preferido pra quem luta para conscientizar cada vez mais!! O tema desse ano traz uma reflexão muito especial: ACEITAR, AGRADECER E AMAR! Segue o texto que preparei:

Mais um Junho chegou, mais uma chance de falar sobre escoliose, mais uma chance de conscientizar e mais uma chance de frisar o quão importante é tratá-la de uma maneira HUMANA. Ter escoliose não é apenas um desvio na coluna, é muuuito mais que isso, e, com toda certeza do mundo, tem sido um presente conviver e aprender com ela há 7 anos. Só posso agradecer à Deus, à minha família e amigos por me ajudarem desde sempre a ACEITAR, AGRADECER e AMAR minhas curvinhas!

Com amor,

Tetê

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Olhar com o coração

Ciao,

Um dos assuntos que mais converso com outras pessoas que têm escoliose é em relação à autoestima, ter vergonha de mostrar o corpo, de mostrar o colete, de usar uma roupa mais justa. Acho que de todos os pontos relacionados ao tratamento da escoliose esse é um dos mais importantes, se não o mais. Aceitar-se e aceitar tudo que virá pela frente, determina e muito o resultado de um tratamento de escoliose e eu sou prova disso. É muito, mas muito fácil, alguém de fora te falar para aceitar, que não precisa ter vergonha, mas só quem está ali, usando um colete ou com cirurgia e tendo que conviver com essas curvinhas, é que sabe tudo que passa pela cabeça, todas as inseguranças e medos! Fui muito feliz desde que descobri a escoliose pois nunca sofri nenhum tipo de preconceito, tanto no colégio como em outros lugares. Perguntas e curiosidades sempre existiram, mas sempre com muito respeito e aceitação. Porém, na maioria das vezes isso não acontece, muitas meninas e meninos com escoliose já sofreram e sofrem preconceito sim, seja devido ao colete, ao formato do corpo, à cicatriz de cirurgia, etc. O meu objetivo toda vez que faço essa caminhada na praia, onde meu colete fica mais exposto do que nunca, é mostrar que não importa o que os outros pensarão de ti, a única coisa que importa é você ser feliz, aceitar, agradecer e deixar fluir. Esse passeio foi extremamente especial pois aconteceu algo lindo. Enquanto minha mãe tirava algumas fotos, um menino de mais ou menos 6 anos, se aproximou, olhou pra mim sorrindo, pegou a minha mão e deu um beijo. Eu, totalmente surpresa e encantada com aquilo, também dei um beijo na mão dele e disse que ele era fofo e especial demais. Obviamente ele viu que eu estava diferente das outras pessoas, e qual foi a reação dele? Um gesto de carinho e amor, gesto de criança que só tem bondade no coração. São nessas pessoas que nós devemos pensar, por elas que devemos fazer acontecer, por essas pessoas de bem. E se por um acaso fizerem comentários infelizes, a melhor opção vai ser sempre o perdão e ter a certeza e a segurança de que você nunca estará sozinha ou sozinho, que existem muitos passando pelo mesmo e que maldade nenhuma atinge quem vibra na frequência do amor ❤️ 

Eu estou sempre aqui para qualquer dúvida e buscando cada vez mais mostrar o lado positivo de ter escoliose, buscando cada vez mais mostrar que a beleza mora dentro de nós, no nosso coração e isso ninguém no mundo pode tirar 🥰

Com amor,

Tetê

Parte de quem eu sou

Ciao,

Seguindo a vibe do último post falando sobre o uso do colete, segue as fotos com esse vestido que mostra o colete. Já tive vergonha sim de deixar ele aparecendo, mas com o tempo fui amadurecendo e percebi que esse era um peso que não precisava mais carregar e a partir do momento que eu assumi que TINHA ESCOLIOSE, QUE EU USAVA UM COLETE e isso não me fazia diferente de ninguém, tudo ficou bem mais leve e mais fácil de lidar!

Vestidito que por ser bem aberto nas costas, ajuda a amenizar o calor nesse verão!

Espero que gostem 🙂

Com amor,

Tetê

 

Parte de quem eu sou

Ciao,

Hoje vou falar sobre um assunto muito especial e importante pra mim: o uso do colete. Antes de tudo, volto a frisar que, CADA CASO É UM CASO, cada tratamento de escoliose é um tratamento e a última coisa que devemos buscar é generalizações quando o assunto é escoliose. No meu caso, comecei usar o colete com 13 anos de idade. Na época demorei um mês para conseguir usá-lo 23h por dia e depois dessa fase de adaptação consegui me acostumar super bem. Quando comecei meu tratamento, precisei parar o ballet, e no fundo sempre sonhava em voltar, por isso eu vi no colete uma chance a mais de melhorar e conseguir evitar a cirurgia. Com o passar dos anos, usei 10 coletes diferentes, porque eu crescia e portanto precisava trocá-los. As primeiras semanas com cada colete são sempre delicadas, só meus pais sabem o quanto era difícil e quantas vezes pensava em desistir achando que não ia dar conta. Porém, algo dentro de mim sempre me disse para nunca desanimar e eu sabia que logo logo aquele período chato passaria e eu me acostumaria com o colete, como seeempre aconteceu. Muitas meninas vêm me perguntar o porquê de eu, com quase 21 anos, ainda usar o colete. No meu caso, eu sempre encarei o colete como meu melhor amigo, como um amuleto, poderia até dizer assim, que protegia a minha coluna por onde quer que eu fosse, literalmente rs. Final de 2016, minha fisioterapeuta e eu conversamos a respeito de eu já estar pronta o suficiente para começar o período de retirada do colete. Fiquei extremamente feliz mas também fiquei insegura na mesma proporção. Sabe o frio na barriga do primeiro dia de aula no colégio? Aquele medo de abandonar a sua rotina e começar algo novo? Era isso que eu sentia. Será mesmo que eu vou conseguir diminuir o uso do colete? Logo o colete que me deixa tão segura? Será que minha escoliose vai piorar?

Eu decidi não responder essas perguntas, decidi levar essa nova fase do tratamento com leveza, com calma, no meu tempo, respeitando os sinais do meu corpo e da minha mente, assim como a Dra Patrícia havia me falado. Fui retirando o colete aos poucos, conforme via necessidade e me sentia segura. O resultado disso? Eu percebi que eu não preciso abandonar o uso do colete já, eu percebi que devido aos exercícios que faço a minha escoliose não vai piorar se por acaso eu ficar um dia inteiro sem usar o colete, eu percebi acima de tudo isso, que cada vez mais ter EQUILÍBRIO é o segredo. Hoje, dificilmente eu uso o colete 23h/dia, mas sim conforme vejo necessidade, eu escuto o que meu corpo e minha mente estão me pedindo, eu tento programar minhas atividades do dia-a-dia (principalmente quando não estou de férias), para assim poder saber quando o uso do colete vai ser mais conveniente, ou quando eu poderei tirar aquela folga hehe. O colete, conjuntamente com os exercícios trabalham na manutenção da minha curvatura, assim como a prática da natação e o tai chi chuan. Porém, a cada reconsulta apresento melhoras em muitos aspectos, pois não são só os graus que definem a melhora da escoliose (sempre bom lembrar).

Quanto tempo eu ainda usarei o colete? Não sei.. por enquanto sou imensamente feliz e grata em saber que posso fazer uso desse recurso que me auxilia desde sempre e continua ajudando tanto. Por hora, sigo sempre com muita fé, acreditando que tudo já deu certo.. sem estresse, sem cobrança, sem medo, mas com muita disciplina sim, porque a gente precisa disso pra manter essas curvinhas sempre “em ordem” hahah

E reforçando, isso funciona para mim, para o meu histórico de tratamento físico e também emocional. Generalizar, never 😉

Espero muuuuito poder ter ajudado e estou sempre à disposição para tirar dúvidas ou até pra desabafar, muitas vezes só quem tem escoliose entende quem tem escoliose né?!

ps.: tem post com o mesmo título mostrando uma roupa que aparece o colete.. já que não temos que ter vergonha de mostrar quem somos! o link esta aqui

Com amor,

Tetê

 

 

Convivendo com escoliose

Ciao,

Tenho recebido algumas mensagens perguntando a respeito de como lido com a escoliose, que tratamento eu faço, exercícios e o porquê de eu ainda usar o colete. Bom vamos começar pelo tratamento. Faço exercícios do método  SEAS, através do Instituto Projeto Escoliose Brasil, do Rio De Janeiro. Já fiz um post falando sobre o método, é só clicar aqui. Vou a cada 6 meses para o Rio reformular a série de exercícios, baseado em como minha curvatura e meu corpo reagiram aos exercícios anteriores. Faço esses exercícios diariamente, em casa, e não levam mais que 45 min. Como já conheço muito bem meu corpo e a minha escoliose, consigo nitidamente perceber o quanto essa prática me ajuda, não só em relação à curvatura em si, mas também em relação ao equilíbrio, simetria, consciência postural, corporal e mental. Isso tudo devo aos anjos Patricia Mentges, Alessandra Amorim e Hector Catalán , do Projeto Escoliose, que zelam por essas curvinhas como se fossem deles hahah.

Quanto às outras atividades físicas, pratico natação e Tai Chi Chuan. A natação me auxilia muito na questão da melhora da minha respiração e da resistência corporal. Quanto ao Tai Chi Chuan, procuro estar sempre em autocorreção postural enquanto realizo os movimentos da forma. Além disso, o Tai Chi tem uma filosofia na qual nada deve ser exagerado, tudo ao seu limite, uma parte do corpo ajudando a outra, algo extremamente importante e que sigo também nos exercícios do método SEAS. A natação e o Tai Chi, muito mais que me ajudarem fisicamente, fazem um bem gigantesco para a minha mente, é como uma terapia!

Enfim, ter escoliose pra mim, é um aprendizado diário. Tudo que acontece na nossa vida é por uma razão, nada é gratuito, e acredito que o fato de eu ter essas curvinhas também não. Por isso que agradeço sempre, por todo aprendizado, amadurecimento e conhecimento.. experiências essas que certamente teriam ocorrido de maneira totalmente diferente se eu não tivesse escoliose. Temos a tendência de tentar achar resposta pra tudo que acontece na nossa vida, temos a mania de pensar demais.. sabe, não precisamos disso! A partir do momento que começarmos a levar a vida com leveza, aceitando os desafios que se apresentam com a certeza que JÁ DEU TUDO CERTO, seguindo o fluxo, e acima de tudo, fazendo o bem, ouvindo seu coração e agindo com amor, tudo que tiver que acontecer, acontecerá no momento certo, na hora que estivermos preparados. Depois que encarei toda a situação dessa forma, não só quanto à escoliose, tudo ficou bem mais fácil.

Quanto ao uso do colete… bom, merece uma postagem a parte, a minha relação com ele é algo que quando começo pensar, da vontade de chorar {de alegria claro}! Eu nunca imaginei que estaria há sete anos fazendo uso dele, e eu nunca imaginei também que poderia transformá-lo em algo tão natural no meu dia-a-dia!! Aguardem que logo logo tem textão sobre hehe!

Estou sempre aberta para qualquer dúvida e para ajudar no que eu puder!!

Com amor,

Tete

Roberta Deodato

Ciao,

Muito feliz que hoje contarei a história de uma guerreira lá da Itália! Conheci a Roberta pelo instagram e começamos a conversar por lá! Ela, sempre muito fofa e querida! Há pouco tempo postou uma foto da cicatriz da sua cirurgia com um texto lindo, eu não poderia deixar de pedir se poderia postar aqui, e ela autorizou! Segue o texto traduzido e também o orginal! Roberta, sei molto brava e ha un bel cuore, un esempio per noi!

“28 • 11 • 2017 ~ 28 • 11 • 2018

Um ano atrás, neste momento, e eu estava entrando na sala de cirurgia. Um ano ou atrás, neste exato momento, eu estava prestes a tomar uma das mais importantes e mais belas decisões da minha vida …… Ainda hoje, depois de todo esse tempo, não consigo expressar meus sentimentos, meus pensamentos naquele momento; eu estava curiosa e assustada ao mesmo tempo, insegura mas forte. No entanto, hoje, um sentimento pode certamente ser o mais certo entre todos: GRATIDÃO e ESTIMA para mim mesma e para aqueles que estiveram perto de mim. Recebo mensagens, pedidos de informação, de apoio de muitos meninos e meninas de todo o mundo; nunca imaginei que minha experiência pudesse ser tão útil para os outros, como foi para mim. Sempre achei que seria difícil “ser diferente”, ter uma história “particular” para contar, porque você nunca sabe o que esperar dos outros. Em vez disso, um ano depois dessa forte escolha, que me mudou em muitos aspectos, posso dizer que estou orgulhosa da pessoa que estou me tornando e de estar ciente de que minha história, minha VIDA, será especial”.

“28•11•2017 ~ 28•11•2018
Un anno fa, in questo preciso momento, stavo entrando in sala operatoria. Un anno fa, in questo preciso momento, stavo per compiere una delle decisioni più importanti e più belle della mia vita……
Ancora oggi, dopo tutto questo tempo, non riesco ad esprimere le mie sensazioni, i miei pensieri in quel momento; ero curiosa e spaventata nello stesso tempo, insicura ma forte. Però, oggi, un sentimento può essere sicuramente il più certo fra tutti: GRATITUDINE e STIMA verso ME STESSA e verso coloro che mi sono stati vicino.
Mi arrivano messaggi, richieste di informazioni, di sostegno da molti ragazzi e ragazze da ogni parte del mondo; non avrei mai immaginato che la mia esperienza potesse essere cosi talmente d’aiuto per gli altri, così come lo è stato per me. Ho sempre pensato che sarebbe stato difficile “essere diversi”, avere una storia “particolare” da raccontare, perché non sai mai cosa aspettarti dagli altri. Invece ora, ad un anno da questa scelta così forte, che mi ha cambiata su molti aspetti, posso dire di essere orgogliosa della persona che sto diventando e di avere la consapevolezza che la mia storia, la mia VITA sarà speciale”.

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Quanta maturidade, quanta clareza e quanto amor pela sua história e pela escoliose ❤️ Obrigada por ser uma inspiração!

Con amore,

Tete

 

Catia Pestana

Ciao,

O depoimento que trago hoje vem diretamente de Portugal, de uma guerreira super mega alto astral que foi querida demais me mandando algumas fotos e escrevendo essas palavras de incentivo para todxs nós que vivemos com essas curvinhas ou com cicatriz!

“Antes de mais, parabéns a todos nós guerreiros. A minha escoliose surgiu quando eu tinha 15 anos. Actualmente tenho 39 anos. Ao início foi muito difícil aceitar a curva (fase de adolescência, ser diferente, não saber o que vestir e vergonha de andar na rua e que as pessoas reparassem no meu problema. Contudo, tive sempre a minha família me apoiando. Nunca fiz cirurgia, porque moro numa Ilha (Ilha da Madeira que pertence a Portugal), onde na altura, a minha escoliose era uma incógnita para os médicos). Não tive possibilidade financeira de sair da Ilha para procurar conselhos de especialistas peritos na área. A idade foi avançando e aprendi a gostar de mim e da minha curva. De vez em quando vou abaixo, mas ultrapasso esse momento menos bom, me lembrando sempre que existe sempre alguém pior que eu (lutando pela vida e a morte; pessoas que já tiveram visão e a perderam; pessoas sem membros; pessoas paraplégicas; pessoas lutando por doenças). E um bem haja a estas pessoas! Levanto-me a aplaudo as mesmas por enfrentarem problemas sérios de saúde e às que infelizmente por diversas circunstâncias deixaram de poder andar, ver, etc…! Parabéns a todos os guerreiros portadores de escoliose e não só!
Não sabia que fotos escolher, escolhi várias… fotos entre amigas(os), sozinha, do meu raiox, do meu melhor amigo e namorado (a pessoa que me aceita como sou e me apoia em todos os momentos e cuida de mim sempre), a foto com o meu cão que infelizmente faleceu com 1 ano de vida e faz-me imensa falta, enfim…. fotos que fazem gostar de mim. Fotos que podem servir de apoio às adolescentes que passam pelo o que eu já passei. Que lhes sirva de exemplo que não devemos esconder as nossas curvas e não nos descuidarmos do nosso visual. Com 39 anos, sinto-me linda. E gostava que todas as meninas se sentissem assim. Que não esperassem tantos anos como eu esperei, para perceberem que são lindas. Um grande beijo de alma e coração a todos Vós! ❤💙 ”.

Catia querida! És uma inspiração de positividade para todos nós! Obrigada do fundo do meu coração pelo depoimento!

Com amor,

Tete

 

Junho de 2018

Ciao,

Junho de 2018 chegou, o mês mais lindo do ano na minha opinião hehe! Eu não poderia deixar de escrever umas palavras a respeito dessas curvinhas que me acompanham há seis anos e que são o motivo pelo qual pude aprender e continuar aprendendo tanto.

Eu me orgulho muito da minha escoliose porque, sim, ela foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Me ensinou tanto, fez com que eu conhecesse pessoas tão incríveis, lugares tão lindos, fez com que eu desse valor para aquilo que antes eu não dava, e em todos os momentos de tristeza, das mais diversas situações, ela me faz lembrar dos motivos que realmente são passíveis de sofrimento. Ela me ensina a evoluir a cada dia e é por isso que eu sou grata a ela, sou grata a cada machucadinho que já tive com o colete, sou grata a todos os momentos e etapas do tratamento sou grata por ter escoliose e sou grata por ela ser parte de mim 💚

Sim, existem momentos de tristeza, momentos em que eu quero desistir de tudo, momentos que eu realmente me pergunto se tudo vale a pena. Mas então, por mais inacreditável que pareça, em vários desses momentos eu recebia uma mensagem de alguém falando sobre como o blog estava ajudando, falando para eu seguir firme e não desistir. E assim eu percebia, que os momentos tristes e de incertezas não são NADA perto das coisas boas e perto do que eu posso ajudar. Ter escoliose não é um mar de rosas, podem ter dores, indecisões, revoltas, machucados.. mas temos que aprender que são esses percalços, por vezes necessários e inevitáveis, que nos ajudarão a evoluir, e que esses percalços SEMPRE passam, comigo foi e é assim! Eu uso desses percalços como um impulso, um impulso para lutar sempre mais,  para lutar sempre pela melhora das minhas curvinhas!

É por isso que eu falo com toda a certeza do mundo: EU TENHO ORGULHO DA CURVA QUE ME FORTALECE.

Se você tem escoliose, cirurgia ou conhece alguém que tenha e se sente à vontade para falar sobre isso, convido a postar uma foto (usando #EuTenhoOrgulhoDaMinhaCurva ou #EuTenhoOrgulhoDaMinhaCicatriz) que represente sua história e trajetória com essas curvinhas. Não precisa ser necessariamente uma foto das suas costas, pode ser uma frase, uma paisagem, o seu raio x.. enfim! Basta ser representativo e importante pra você 💚 Vai ser lindo reunir todas essas postagens no final desse mês (to até imaginando o textão aqui 😂), por isso divulguem pra quem vocês conhecerem 🤗

VEM JUNHO E ILUMINE TODXS NÓS!

Com amor,

Tete

PS: Arte da minha linda Bianca Vicini Bonotto

 

 

Conhecendo a Paulista

Ciao,

Sempre fico muito feliz quando recebo mensagens de meninas falando a respeito do auxílio do blog na vida delas. Cada palavra toca meu coração de um jeito extremamente sincero, que emociona muito e me motiva a buscar ajudar sempre mais.

Pensando nesses mensagens cheias de amor que recebo, pensei em retribuir do meu jeitinho: usando meu colete por cima da roupa, em um dos meu lugares preferidos da vida, a Av. Paulista. Isso aconteceu no feriado do dia 01/05, portanto a Paulista estava aberta para os pedestres!

Percebi que várias pessoas comentavam: “o que essa menina tá usando?”. Isso me deixava imensamente feliz, pois estava podendo mostrar uma realidade que é muito comum mas não tão discutida como deveria. Também, porque me senti muito à vontade, sem vergonha alguma, e o melhor: recebi muitos sorrisos e não percebi olhares de reprovação, apenas de curiosidade, o que é extremamente normal e compreensível.

Quem cria nossa realidade, o que queremos viver e experienciar somos nós mesmos. Crie a realidade que vá te fazer feliz, crie por você, para você, ame, seja grato e as bençãos virão instantaneamente {em qualquer área da sua vida}. Nesse dia, me senti assim, feliz, abençoada por poder ser e mostrar quem  eu realmente sou, sem ter medo ou vergonha, aceitando e agradecendo. Abençoada por poder compartilhar esse momento com vocês e talvez poder ajudar quem passa pela mesma situação ou por outra similar!

Seguem as fotinhos tiradas na Casa das Rosas!

 

Com amor,

Tete

 

 

Erica Felix

Ciao,

Hoje, a história que trago aqui é a da pessoa que mais me inspira e que é o meu exemplo e meu espelho, principalmente nos meus momentos de tristeza {sim esses momentos existem pra todo mundo, só não podemos deixar que eles prevaleçam né?!}.

Conheci a Erica no IV Encontro da Escoliose no Rio De Janeiro. Ela contou um pouco da sua história e distribuiu os seus “Sapinhos da Esperança”, que são Sapinhos verdes em dobradura que simbolizam a força, a luta, a vontade de não desistir, a esperança! Desde então então ela virou um exemplo, tanto pra mim quanto pra minha família!

Sempre sonhei em contar a história dela aqui, e essa semana ela me presenteou com o seu depoimento! Tenho certeza que você não vai conter a emoção, assim como eu não contive:

“Teresa, meu nome é Erica, não nasci com escoliose e isso é certeza pois desde pequena todos sempre elogiavam minha postura e minha coluna sempre retinha e eu sempre magrinha, meu sonho era até ser modelo e esse sonho foi se distanciando quando tinha 11 anos. Minha mãe que morava e trabalhava aqui no Rio sempre ia me visitar (Sul da Bahia) e levava presentes e um dos presentes foi uma blusa coladinha verde e eu me lembro como se fosse hoje, eu coloquei a blusa e ela e minha tia olharam minhas costas e ficaram olhando e falando e pedindo para que eu ficasse com postura e repararam que minha coluna estava com um lado maior que o outro. E eu imaginando e pensando: como assim?! E a gente tentando entender o por quê?! Aí foi passando os dias e os meses indo no médico e onde eu morava, no sul da Bahia, não tinha nenhum especialista. Depois de uns 10 meses que consegui fazer um raio x que nem foi de coluna, foi um raio x de tórax que mesmo assim ajudou muito e marcarmos um ortopedista no SUS que olhou e disse que eu estava com 80° de escoliose e que era caso cirúrgico, e como ficamos todos assustados e perdidos o médico deu um encaminhamento e disse que eu iria consegui operar em Brasília ou São Paulo e logo disse para minha tia que iria ser complicado porque não temos parentes nesses dois estados.
Minha mãe morava e trabalhava aqui no Rio de Janeiro e se casou e teve um filho. Aos 13 anos vim morar com ela, desde então fui ao posto de saúde e deram o encaminhamento para fazer fisioterapia na ABBR e lá fiz fisioterapia por 3 meses e depois me deram encaminhamento para entrar na fila de cirurgia do INTO. Lá no INTO vi outras pessoas iguais e piores que eu e conheci, outras pessoas que fizeram a cirurgia e ficaram super bem! Mas quando consegui fazer o primeiro raio x de coluna no INTO já estava bem pior. É grave meu caso e a médica deixava bem claro isso! Como fui conversando com umas pessoas e elas diziam que depois de anos que foram chamadas para cirurgia e mesmo assim na fila, eu, para não ser esquecida,  de 6 em 6 meses ou uma vez por ano estava lá na consulta e sempre distribuindo meus sapinhos da esperança que eu fazia e ensinava outras pessoas fazer lá na hora, no auditório esperando chamar para consulta rsrs. Notei que sempre que eu ia, mudava o médico e ficava pensando, esse tá com medo de me operar, e eu sempre confiante dizendo e confirmando que queria operar. Enquanto esperava na fila, eu terminei meus estudos, fiz cursos, trabalhava dando aula de reforço, porque ninguém queria me dar emprego pois poderia a qualquer hora ser chamada para operar, fazia penteados com tranças e olhava crianças meio período. Nesses oito anos na fila eu ia 2 vezes na semana na faculdade Gama Filho fazer fisioterapia respiratória e traumo preparatório para a cirurgia. Que pessoas maravilhosas nesses anos que me acompanharam e motivaram muito para seguir confiante e nesse início de tratamento sou grata a minha médica pneumo Dr.Andreia que é um anjo e até hoje ajuda muito outras gerações. Minha mãe e eu fomos marcadas numa reunião no INTO com a equipe de coluna que nos acolheu super bem!

Depois de quando fui perdendo as esperanças, num sábado de manhã saindo da igreja, tinha acabado de marcar o batizado de meu afilhado e programado viajar para visitar a família, o meu telefone tocou e era do INTO pedindo para estar lá na segunda e levar só produtos de higiene. Eu fiquei sem reação e não sabia se ria ou chorava que sensação estranha e minha mãe ficou assim também. No dia lá no hospital eu só chorava e chorava e minha mãe foi embora e a enfermeira não demorou nem 3 horas lá rsrs disse que eu estava de alta por falta de sangue O- que eu iria precisar. Não pensei duas vezes e metir o pé kkk e fui para casa pensando e quando cheguei, que alívio e todos na rua e em casa ficaram assustados até eu explicar! Não demorou, depois de 2 semanas chamaram de novo e eu estava mais segura e pedi para minha mãe tirar uma foto de minhas costas e que susto, vi que realmente tinha que operar. Fomos eu e minha mãe. Fiquei numa enfermaria grande e bem legal onde tinham pessoas operadas e aguardando operar e lá fiquei aguardando por 15 dias por falta de sangue ou as vezes tinha cirurgia antes e não dava tempo de fazer a minha e assim ia me alimentando, tomando suplementos, fazendo nebulização, fisioterapia, fiz muitas amizades na enfermaria e outras enfermarias, recebi muitas visitas da família e algumas amigas.

Imagina eu com mais de 160° de escoliose idiopática e com bronquite asmática crônica alérgica grave e sangue O-. Que responsabilidade e eu sabia e também sabia que se não fosse operar iria piorar cada dia mais e já sentia muitas dores na região da caixa torácica na direção do umbigo e meu pulmão e coração já estavam muito pressionados e quando tinha crise de asma e tosse machucava meu pulmão direito e tossia sangue e vivia tomando antibióticos. Então quis arriscar tudo e tentar o melhor. No dia fiquei sabendo que a maioria ou todos cirurgiões estariam presentes em minha cirurgia, mas o que me foi apresentado da última consulta, e que iria estar a frente, foi o Dr.Andre. Fui eu operar e na primeira cirurgia foi para colocar as barras.

Acordei no CTI muito sonolenta já de noite e com muito enjoo e mesmo assim querendo comer e tomei mingau e depois coloquei tudo para fora. No dia seguinte voltei para enfermaria sem poder levantar e uns 5 dias assim e mesmo assim conseguia me virar de lado e muito incomodo.

Depois fui para segunda cirurgia pensando que fosse mole também, mas não, foi a cirurgia mesmo do qual retiraram 3 costelas e acordei depois de 3 dias com acesso venoso, drenos de tórax e na coluna, bolsa de alimentação daqueles que vai pelo nariz, mascara de oxigênio, sonda e aparelhagem que tem no CTI. Acordei assustada e sem conseguir me mexer e tinha passado meu aniversário (02/09/2011) e eu não estava acordada e minha mãe no dia seguinte me dando os parabéns e os enfermeiros chegando e felizes de ver que eu estava desinchada e surpresos com minha melhora! Tinha dado um susto em todos! Mas graças a Deus fui me recuperando bem e ganhando força e carinho de todos com o passar dos dias. Fiquei 13 dias lá e depois fui para enfermaria e não aguentava mais ficar deitada depois de quase 25 dias e comecei ficar preocupada se iria conseguir sentar e se iria conseguir andar… mais estava sufocada! Numa segunda de manhã todos chegando e gritei quero levantar e dizia não aguento mais ficar nessa cama. Com todos de acordo o fisioterapeuta me sentou primeiro e eu tremendo de fraqueza e suava e que peso nas costas me puxando para trás e meu corpo esquentou todo… me colocaram na cadeira de banho e aproveitaram e levaram para tomar banho de chuveiro, usar o vaso rsrs e foi tudo tão rápido! Eu voltei para cama quase desmaiando de dor e fraqueza ter de se acostumar com um material no corpo, dor na região das costelas. Com a ajuda do grupo da coluna e enfermeiras com o passar dos dias fui me recuperando! E veio a ordem que eu ainda não podia andar e teria que usar um colete ortopédico por um tempo para a coluna se acostumar com a postura e eu não fazer certos movimentos. Chegou um dia que todos iriam mudar para o novo INTO, que fica hoje na Avenida Brasil e que legal inaugurei junto com alguns pacientes o novo INTO e lá é bem grande só não tinha companhia e televisão ainda. Fiquei do lado de uma senhora que estava lá a meses internada e estava tratando uma ferida que dá em pessoas que ficam muito tempo acamada. E todos os dias a noite na troca de turno dos enfermeiros eu lia e orava a Folha da missa e ela sabia todas as músicas do folheto e cantávamos juntas. Ela me chamava do nome da neta Mariana rsrs pois ela não estava bem lúcida das coisas.

Depois de um mês e pouco internada não me conformava de ter passado por 2 cirurgias e ter que usar o colete. Depois de tanto ajeitar o colete tive alta e para voltar para casa foi ótimo e tive que me adaptar a cama, usar moletas e 2 vezes na semana a equipe domiciliar vinha em minha casa com fisioterapia, enfermeira, assistente social vieram por 10 sessões e me ajudaram e ensinou como devo deitar, levantar e subir escadas. Ensinou colocar e tirar o colete e fazer uns exercícios que faço até hoje.

Iria ficar só 6 meses com o colete e mesmo com ele ou quando tirava durante o banho sentia fisgadas da haste e falei na consulta e pediram uma tomografia e fiz outro raio x e minha teimosa coluna estava com a haste solta junto com alguns parafusos frouxos. E fiquei 10 meses com o colete até marcarem de novo uma nova cirurgia da qual não sabia se iria apertar ou fazer tudo de novo, só na hora. Internei e passei o domingo dia 02/09/2012, meu aniversário, internada. Recebi visitas de pessoas especiais e nesse dia conheci muitas pessoas especiais também. Quem me operou foi o Dr.Eulálio e deu tudo certo ele só apertou os parafusos juntos com a haste e disse que não precisava usar mais o colete.

Com 3 meses de operada já bem e sem dores fui na consulta de revisão e perguntei se já podia trabalhar e ele disse que sim, vida normal e só não posso pegar peso. Logo fiz um currículo e entreguei a conhecidos e logo fui chamada para trabalhar como operadora de telemarketing de uma clínica e eu super animada comecei e tinha que pegar 2 ônibus. No início foi dolorido e fui acostumando e depois de uns uns 2 anos não engordei e magrinha o parafuso foi aparecendo nas costas e querendo romper e inflamando em cima como se fosse um “furunco” e estava para entrar de férias e fiquei informando o pessoal lá. Logo na primeira semana de férias conseguiram me internar e eu pela quarta vez indo operar a coluna para retirar uns parafusos que estavam querendo romper a pele e graças a Deus foi tranquilo.

E hoje sou muito grata a todos que estiveram ao meu lado ajudando, fortalecendo e apoiando. O Projeto Escoliose ajuda e ajudará muitos jovens a iniciar o tratamento logo e assim evitar a passar por todo esse transtorno que passei. Mas mesmo com tanto sofrimento consegui vencer.”

Essa sim é uma Guerreira da Escoliose e tanto! Grata demais por ter conhecido você, por ter a oportunidade de aprender contigo e receber essa luz que você irradia!

Você merece só bênçãos Erica, parabéns por ser esse ser humano tão incrível e um exemplo para todxs nós, guerreirxs da escoliose!

 

 

Com amor,

Tete