Erica Felix

Ciao,

Hoje, a história que trago aqui é a da pessoa que mais me inspira e que é o meu exemplo e meu espelho, principalmente nos meus momentos de tristeza {sim esses momentos existem pra todo mundo, só não podemos deixar que eles prevaleçam né?!}.

Conheci a Erica no IV Encontro da Escoliose no Rio De Janeiro. Ela contou um pouco da sua história e distribuiu os seus “Sapinhos da Esperança”, que são Sapinhos verdes em dobradura que simbolizam a força, a luta, a vontade de não desistir, a esperança! Desde então então ela virou um exemplo, tanto pra mim quanto pra minha família!

Sempre sonhei em contar a história dela aqui, e essa semana ela me presenteou com o seu depoimento! Tenho certeza que você não vai conter a emoção, assim como eu não contive:

“Teresa, meu nome é Erica, não nasci com escoliose e isso é certeza pois desde pequena todos sempre elogiavam minha postura e minha coluna sempre retinha e eu sempre magrinha, meu sonho era até ser modelo e esse sonho foi se distanciando quando tinha 11 anos. Minha mãe que morava e trabalhava aqui no Rio sempre ia me visitar (Sul da Bahia) e levava presentes e um dos presentes foi uma blusa coladinha verde e eu me lembro como se fosse hoje, eu coloquei a blusa e ela e minha tia olharam minhas costas e ficaram olhando e falando e pedindo para que eu ficasse com postura e repararam que minha coluna estava com um lado maior que o outro. E eu imaginando e pensando: como assim?! E a gente tentando entender o por quê?! Aí foi passando os dias e os meses indo no médico e onde eu morava, no sul da Bahia, não tinha nenhum especialista. Depois de uns 10 meses que consegui fazer um raio x que nem foi de coluna, foi um raio x de tórax que mesmo assim ajudou muito e marcarmos um ortopedista no SUS que olhou e disse que eu estava com 80° de escoliose e que era caso cirúrgico, e como ficamos todos assustados e perdidos o médico deu um encaminhamento e disse que eu iria consegui operar em Brasília ou São Paulo e logo disse para minha tia que iria ser complicado porque não temos parentes nesses dois estados.
Minha mãe morava e trabalhava aqui no Rio de Janeiro e se casou e teve um filho. Aos 13 anos vim morar com ela, desde então fui ao posto de saúde e deram o encaminhamento para fazer fisioterapia na ABBR e lá fiz fisioterapia por 3 meses e depois me deram encaminhamento para entrar na fila de cirurgia do INTO. Lá no INTO vi outras pessoas iguais e piores que eu e conheci, outras pessoas que fizeram a cirurgia e ficaram super bem! Mas quando consegui fazer o primeiro raio x de coluna no INTO já estava bem pior. É grave meu caso e a médica deixava bem claro isso! Como fui conversando com umas pessoas e elas diziam que depois de anos que foram chamadas para cirurgia e mesmo assim na fila, eu, para não ser esquecida,  de 6 em 6 meses ou uma vez por ano estava lá na consulta e sempre distribuindo meus sapinhos da esperança que eu fazia e ensinava outras pessoas fazer lá na hora, no auditório esperando chamar para consulta rsrs. Notei que sempre que eu ia, mudava o médico e ficava pensando, esse tá com medo de me operar, e eu sempre confiante dizendo e confirmando que queria operar. Enquanto esperava na fila, eu terminei meus estudos, fiz cursos, trabalhava dando aula de reforço, porque ninguém queria me dar emprego pois poderia a qualquer hora ser chamada para operar, fazia penteados com tranças e olhava crianças meio período. Nesses oito anos na fila eu ia 2 vezes na semana na faculdade Gama Filho fazer fisioterapia respiratória e traumo preparatório para a cirurgia. Que pessoas maravilhosas nesses anos que me acompanharam e motivaram muito para seguir confiante e nesse início de tratamento sou grata a minha médica pneumo Dr.Andreia que é um anjo e até hoje ajuda muito outras gerações. Minha mãe e eu fomos marcadas numa reunião no INTO com a equipe de coluna que nos acolheu super bem!

Depois de quando fui perdendo as esperanças, num sábado de manhã saindo da igreja, tinha acabado de marcar o batizado de meu afilhado e programado viajar para visitar a família, o meu telefone tocou e era do INTO pedindo para estar lá na segunda e levar só produtos de higiene. Eu fiquei sem reação e não sabia se ria ou chorava que sensação estranha e minha mãe ficou assim também. No dia lá no hospital eu só chorava e chorava e minha mãe foi embora e a enfermeira não demorou nem 3 horas lá rsrs disse que eu estava de alta por falta de sangue O- que eu iria precisar. Não pensei duas vezes e metir o pé kkk e fui para casa pensando e quando cheguei, que alívio e todos na rua e em casa ficaram assustados até eu explicar! Não demorou, depois de 2 semanas chamaram de novo e eu estava mais segura e pedi para minha mãe tirar uma foto de minhas costas e que susto, vi que realmente tinha que operar. Fomos eu e minha mãe. Fiquei numa enfermaria grande e bem legal onde tinham pessoas operadas e aguardando operar e lá fiquei aguardando por 15 dias por falta de sangue ou as vezes tinha cirurgia antes e não dava tempo de fazer a minha e assim ia me alimentando, tomando suplementos, fazendo nebulização, fisioterapia, fiz muitas amizades na enfermaria e outras enfermarias, recebi muitas visitas da família e algumas amigas.

Imagina eu com mais de 160° de escoliose idiopática e com bronquite asmática crônica alérgica grave e sangue O-. Que responsabilidade e eu sabia e também sabia que se não fosse operar iria piorar cada dia mais e já sentia muitas dores na região da caixa torácica na direção do umbigo e meu pulmão e coração já estavam muito pressionados e quando tinha crise de asma e tosse machucava meu pulmão direito e tossia sangue e vivia tomando antibióticos. Então quis arriscar tudo e tentar o melhor. No dia fiquei sabendo que a maioria ou todos cirurgiões estariam presentes em minha cirurgia, mas o que me foi apresentado da última consulta, e que iria estar a frente, foi o Dr.Andre. Fui eu operar e na primeira cirurgia foi para colocar as barras.

Acordei no CTI muito sonolenta já de noite e com muito enjoo e mesmo assim querendo comer e tomei mingau e depois coloquei tudo para fora. No dia seguinte voltei para enfermaria sem poder levantar e uns 5 dias assim e mesmo assim conseguia me virar de lado e muito incomodo.

Depois fui para segunda cirurgia pensando que fosse mole também, mas não, foi a cirurgia mesmo do qual retiraram 3 costelas e acordei depois de 3 dias com acesso venoso, drenos de tórax e na coluna, bolsa de alimentação daqueles que vai pelo nariz, mascara de oxigênio, sonda e aparelhagem que tem no CTI. Acordei assustada e sem conseguir me mexer e tinha passado meu aniversário (02/09/2011) e eu não estava acordada e minha mãe no dia seguinte me dando os parabéns e os enfermeiros chegando e felizes de ver que eu estava desinchada e surpresos com minha melhora! Tinha dado um susto em todos! Mas graças a Deus fui me recuperando bem e ganhando força e carinho de todos com o passar dos dias. Fiquei 13 dias lá e depois fui para enfermaria e não aguentava mais ficar deitada depois de quase 25 dias e comecei ficar preocupada se iria conseguir sentar e se iria conseguir andar… mais estava sufocada! Numa segunda de manhã todos chegando e gritei quero levantar e dizia não aguento mais ficar nessa cama. Com todos de acordo o fisioterapeuta me sentou primeiro e eu tremendo de fraqueza e suava e que peso nas costas me puxando para trás e meu corpo esquentou todo… me colocaram na cadeira de banho e aproveitaram e levaram para tomar banho de chuveiro, usar o vaso rsrs e foi tudo tão rápido! Eu voltei para cama quase desmaiando de dor e fraqueza ter de se acostumar com um material no corpo, dor na região das costelas. Com a ajuda do grupo da coluna e enfermeiras com o passar dos dias fui me recuperando! E veio a ordem que eu ainda não podia andar e teria que usar um colete ortopédico por um tempo para a coluna se acostumar com a postura e eu não fazer certos movimentos. Chegou um dia que todos iriam mudar para o novo INTO, que fica hoje na Avenida Brasil e que legal inaugurei junto com alguns pacientes o novo INTO e lá é bem grande só não tinha companhia e televisão ainda. Fiquei do lado de uma senhora que estava lá a meses internada e estava tratando uma ferida que dá em pessoas que ficam muito tempo acamada. E todos os dias a noite na troca de turno dos enfermeiros eu lia e orava a Folha da missa e ela sabia todas as músicas do folheto e cantávamos juntas. Ela me chamava do nome da neta Mariana rsrs pois ela não estava bem lúcida das coisas.

Depois de um mês e pouco internada não me conformava de ter passado por 2 cirurgias e ter que usar o colete. Depois de tanto ajeitar o colete tive alta e para voltar para casa foi ótimo e tive que me adaptar a cama, usar moletas e 2 vezes na semana a equipe domiciliar vinha em minha casa com fisioterapia, enfermeira, assistente social vieram por 10 sessões e me ajudaram e ensinou como devo deitar, levantar e subir escadas. Ensinou colocar e tirar o colete e fazer uns exercícios que faço até hoje.

Iria ficar só 6 meses com o colete e mesmo com ele ou quando tirava durante o banho sentia fisgadas da haste e falei na consulta e pediram uma tomografia e fiz outro raio x e minha teimosa coluna estava com a haste solta junto com alguns parafusos frouxos. E fiquei 10 meses com o colete até marcarem de novo uma nova cirurgia da qual não sabia se iria apertar ou fazer tudo de novo, só na hora. Internei e passei o domingo dia 02/09/2012, meu aniversário, internada. Recebi visitas de pessoas especiais e nesse dia conheci muitas pessoas especiais também. Quem me operou foi o Dr.Eulálio e deu tudo certo ele só apertou os parafusos juntos com a haste e disse que não precisava usar mais o colete.

Com 3 meses de operada já bem e sem dores fui na consulta de revisão e perguntei se já podia trabalhar e ele disse que sim, vida normal e só não posso pegar peso. Logo fiz um currículo e entreguei a conhecidos e logo fui chamada para trabalhar como operadora de telemarketing de uma clínica e eu super animada comecei e tinha que pegar 2 ônibus. No início foi dolorido e fui acostumando e depois de uns uns 2 anos não engordei e magrinha o parafuso foi aparecendo nas costas e querendo romper e inflamando em cima como se fosse um “furunco” e estava para entrar de férias e fiquei informando o pessoal lá. Logo na primeira semana de férias conseguiram me internar e eu pela quarta vez indo operar a coluna para retirar uns parafusos que estavam querendo romper a pele e graças a Deus foi tranquilo.

E hoje sou muito grata a todos que estiveram ao meu lado ajudando, fortalecendo e apoiando. O Projeto Escoliose ajuda e ajudará muitos jovens a iniciar o tratamento logo e assim evitar a passar por todo esse transtorno que passei. Mas mesmo com tanto sofrimento consegui vencer.”

Essa sim é uma Guerreira da Escoliose e tanto! Grata demais por ter conhecido você, por ter a oportunidade de aprender contigo e receber essa luz que você irradia!

Você merece só bênçãos Erica, parabéns por ser esse ser humano tão incrível e um exemplo para todxs nós, guerreirxs da escoliose!

 

 

With love,

Tete

 

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2 comentários em “Erica Felix

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