Destaque

Como tudo começou…

Tudo começou no final de 2011 quando minha prima percebeu, em um dia na piscina, que eu tinha uma lado mais “acinturado” que o outro. Fiz aquele teste de encostar as mãos nos pés e pudemos perceber as curvaturas. Meus pais ficaram com aquele peso na consciência acompanhado da famosa frase: como não vimos isso antes? O importante nesse momento é não ficar com culpa de nadica de nada; mas sim ter em mente que tudo tem solução, é só manter a calma.

Já em Fevereiro de 2012 fui ao médico em Chapecó, cidade vizinha a minha, Xanxerê, que fica no oeste de Santa  Catarina. A indicação dele foi que eu fizesse apenas fisioterapia – RPG {que eu comecei a fazer} e fosse controlando através de raio-x.

Ps.: naquele ponto eu estava com 20 graus na torácica e 25 graus na lombar.

Porém, contudo, entretanto hahah meus pais acharam melhor ouvir mais opiniões, então fomos à São Paulo.

A proposta do primeiro médico foi como um balde de água fria: usar o colete Milwaukee. Nossos olhos encheram-se de lágrimas, mas calma, ainda tínhamos uma terceira opinião para consultar que trouxe uma forma de tratamento mais {na medida do possível} suave: o colete de Boston. Ficou decidido que eu seguiria esta última.

Meu colete foi confeccionado pela AACD. Lembro-me muito bem do dia em que fui até lá, com meu tio, para fazer o pedido. Foi um choque, percebi que o meu problema, se é que posso chamar de problema, é um grão de arroz perto do que outras crianças passavam e passam. Foi ai que eu agradeci à Deus e encarei a escoliose como algo normal na minha vida, fazendo do colete o meu melhor amigo.

Tenho que admitir, no início foi bem complicado, fui a cada dia usando o colete um pouquinho mais, até que depois de 20 dias, só tirava mesmo para tomar banho.

Meu pai, depois de ler o livro A Menina da Coluna Torta descobriu a fisioterapeuta {maravilhosa} Patricia Italo Mentges fundadora do Projeto Escoliose Brasil. Portanto, em paralelo ao uso do colete, comecei a fazer exercícios fisioterapêuticos específicos para escoliose.

Passados três anos, decidimos mudar de médico e procuramos o doutor Luiz Eduardo Munhoz da Rocha de Curitiba-PR. Com ele fiz meus terceiro e quarto coletes. Sim, é necessário trocar pois com o crescimento, as medidas do corpo mudam e o colete começa machucar.

Infelizmente, minha escoliose começou a piorar, e em 2014 atingiu os 40 graus na torácica e quase 50 na lombar. Meus pais ficaram super preocupados {pra não dizer desesperados} e com medo de que fosse preciso fazer o procedimento cirúrgico. Por isso, fomos atrás de um tratamento alternativo na Califórnia, EUA em Julho do mesmo ano.

Fiquei durante um ano e meio fazendo um tratamento {puxaaaado}. De 4 em 4 meses fazíamos o retorno e nesse meio tempo continuava o tratamento em casa, com o auxílio dos meus pais e fazendo skype para controlar e tirar as dúvidas. Tive melhora? Sim, tive em partes, hoje estou com 38 na torácica e 39 na lombar, porém a custa de muito trabalho, dedicação e dor. Também comecei a ficar com alguns efeitos colaterais, além de os exercícios me ocuparem muito tempo {em torno de 3 horas/dia} e a distância e o custo serem elevados. Até que tomei a decisão de parar no final de 2015. Tudo isso serviu como experiência {algumas felizes, outras nem tanto} e amadurecimento tanto para mim quanto para minha família. Sou muito grata às pessoas que conheci lá e à tudo que experienciei.

Foi assim que voltei a fazer o tratamento no Projeto Escoliose Brasil, no Rio de Janeiro, com  a Dra. Patrícia, que me recebeu de braços abertos com muito carinho e profissionalismo. Hoje, com 20 anos, estou usando novo colete e, é claro, fazendo meus exercícios de correção postural. O tratamento segue o método SEAS, e para mim, tem sido ótimo e o melhor caminho que poderia ter seguido.

Sabe o que foi fundamental? Minha família foi e é essencial em toda essa trajetória, em especial minha mãe e meu pai. Eles me apoiaram, entenderam e deram força desde o princípio. Além disso, muita Fé, força de vontade, dedicação e pensamento positivo foram e são peças chaves. Se eu tive e ainda tenho crises de tristeza? Ah se tive, inúúúmeras, mas que serviram pra eu crescer, amadurecer e JAMAIS desistir.

Vou compartilhar por aqui dicas sobre minha rotina de atividades físicas e exercícios, sobre roupas para usar com o colete, como lidar com ele de uma forma mais leve e feliz e muito mais! Espero do fundo do coração ajudar no que eu puder… Sinta-se à vontade para entrar em contato comigo! Vamos conviver com a escoliose com amor ❤

Com amor,

Tete

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Ainda sobre Junho

Ciao,

Sim, um tempão que não escrevo aqui, anda tudo muito corrido 😦

Essa semana me dei conta que ainda não havia publicado aqui a foto e o texto que escrevi para esse mês de Junho:

aceitar. agradecer. amar.
escolhi essas três palavras pra fazer parte da campanha desse ano pois elas realmente têm um significado muito grande.
sobre ACEITAR: desde que descobri a escoliose não sei explicar ao certo como eu aceitei de uma forma tranquila usar o colete 23h/dia, fazer exercícios específicos todos os dias, ter que parar de fazer ballet, além de outras restrições.. nunca me passou pela cabeça não aceitar ou me revoltar, a única coisa que eu pensava era que eu teria que passar por isso, a escolha de levar a sério o tratamento e de viver esse processo feliz ou não era só minha.
sobre AGRADECER: depois de um tempinho convivendo com a escoliose que consegui ter essa consciência, a de agradecer por ela, de agradecer por tudo que eu vivi e vivo através dela e principalmente me dar conta de que ela foi um presente.
sobre AMAR: acho que é só uma consequência desse caminho todo. antes aceitar, depois agradecer e então amar, e querer transmitir esse amor e esse lado positivo e feliz pra todos que passam pelo mesmo. você ama tanto que não se importa em mostrar seu colete, não se importa se as curvas das suas costas ficam aparentes, porque você as ama, e esse amor vence qualquer vergonha, qualquer medo e insegurança, você ama e você confia em Deus e sabe que tudo vai dar certo, mesmo nos momentos que isso tudo que eu escrevi parece não fazer sentido.
o meu maior desejo é que cada vez mais outras pessoas com escoliose possam sentir esse amor também.

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Com amor,

Tete

Junho 2019

Ciao,

Mais um Junho que chegou, mês preferido pra quem luta para conscientizar cada vez mais!! O tema desse ano traz uma reflexão muito especial: ACEITAR, AGRADECER E AMAR! Segue o texto que preparei:

Mais um Junho chegou, mais uma chance de falar sobre escoliose, mais uma chance de conscientizar e mais uma chance de frisar o quão importante é tratá-la de uma maneira HUMANA. Ter escoliose não é apenas um desvio na coluna, é muuuito mais que isso, e, com toda certeza do mundo, tem sido um presente conviver e aprender com ela há 7 anos. Só posso agradecer à Deus, à minha família e amigos por me ajudarem desde sempre a ACEITAR, AGRADECER e AMAR minhas curvinhas!

Com amor,

Tetê

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Pedro Quereza

Ciao,

Hoje a postagem é mais do que especial, porque pela primeira vez no blog trago a história de um menino com escoliose, de um guerreiro que é um exemplo e uma inspiração para todos nós. Tive contato com a mãe do Pedro, através do facebook, que mandou a história dele para postar aqui no blog:

“Meu nome é Larissa Andrade Quereza, tenho 33 anos, nasci e moro em Avaré, onde sou proprietária da Casa Boutique, casada, há 10 anos, com Elifio Quereza e mãe de Pedro e Gustavo, de 10 anos, e Matheus, de 7 anos.

Pedro nasceu com uma deformidade congênita na coluna chamada escoliose.

A escoliose congênita decorre de um problema com a formação dos ossos da coluna vertebral (vértebras) ou de um problema de fusão dos ossos da coluna, podendo ou não estar associado a fusão de costelas durante o desenvolvimento do feto ou do recém-nascido.

A gravidez do Pedro e do Gustavo foi tranquila, embora tenham nascidos pré-maturos, como a maioria dos gêmeos. Durante a gestação o médico chegou a desconfiar que um deles pudesse ter síndrome de Down (possibilidade que foi descartada depois da realização de um exame), mas, hoje achamos que já era a má formação da coluna dele que o médico desconfiou.

Quando o Pedro e o Gustavo tinham cerca de seis meses começaram a sentar, ficar em pé e eu percebia que o Pedro ficava torto, então, comecei a desconfiar. Levei em uma pediatra que disse que devia ser a posição que ele ficou na barriga e recomendou que fizesse sessões de fisioterapia. Mesmo assim, o levei em um ortopedista, que viu que era escoliose, mas ele me assustou muito e disse que não tinha o que fazer, que meu filho iria ser torto o resto da vida. Sai do consultório dele completamente desesperada e chorando muito.

Comecei a leva-lo Unesp de Botucatu, só que lá cada hora passava por um médico, um falava que era cirúrgico, outro não, que ele só precisaria usar um colete.

Um dia, eu estava à toa na internet e escrevi, no Facebook, escoliose, apareceu um grupo chamado “Mães da escoliose”. Eu nunca tinha ouvido falar, sequer sabia que exista outras crianças e mães que enfrentavam o mesmo problema! E através deste grupo conheci a Associação de Assistência à Criança com Deficiente (AACD).

Eu até conhecia a AACD, mas achava que eles só trabalhavam com casos mais sérios e que só atendia pelo SUS, e neste grupo descobri que não! A AACD atende convênio médico e particular também. Então, marquei uma consulta para o Pedro.

Na AACD fui orientada a respeito da cirurgia que ela precisava e também todo o procedimento necessário para isto, como convênio médico. Já que esta operação custaria, no mínimo, R$ 200 mil.

Em abril deste ano, ele foi operado na AACD. A princípio, o Pedro tinha duas opões cirúrgicas. Uma, em que ele colocaria duas hastes e alinharia a coluna, porém, a cada seis meses ele precisaria passar por uma cirurgia de novo, para alinhar estas hastes ao crescimento dele. Mas, não precisou. Como o problema maior dele é na lombar, os médicos optaram por outra cirurgia e ele só fará outras depois dos 18 anos.

Mesmo assim, Pedro ficou 40 dias internado na AACD, após esta cirurgia. Nos pós-cirúrgico ele contraiu uma infecção chamada osteomelite.

Nestes 40 dias internado, fomos apenas ele e eu, e o Pedro nunca se queixou, nunca questionou o motivo de estar passando por tudo isso. Acho que, na verdade, é ele quem dá força a família.

Meu marido e eu sempre aceitamos o problema, mas, é claro que tínhamos muito medo das consequências. Os irmãos e os amigos também levam tudo em uma boa. Algumas pessoas, no entanto, perguntam, principalmente o fato dele ser gêmeos e ser bem menor que o Gustavo, mas sempre ensinei ele a lidar com isso dizendo que acontece porque não são idênticos, são de placentas diferentes.

O problema de serem gêmeos é exatamente a comparação das pessoas que não convivem. Quem convive, aceita e nem sequer pergunta para o Pedro sobre a diferença com o irmão.

Oito meses após a cirurgia, a vida do Pedro começa a voltar ao normal, o único cuidado que ele deve ter é com relação a quedas. No período de um ano, ele não pode cair, por causa da cicatrização da cirurgia. Mesmo assim, já pode até mesmo jogar bola.

O Pedro veio para me mostrar o quanto Deus é maravilhoso. Se ele não tivesse escoliose, eu não teria buscado tanto a Ele.

Nestes 40 dias, que ficou internado, fomos só ele e eu, e todos os dias o Pedro orava e agradecia o milagre.

Usar o colete não é fácil para ele, incomoda, e ele tem que ficar com isso 23 horas por dia, mesmo assim, até isso, trouxe coisas boas para a vida do Pedro. Meu filho é apaixonado pelo Corinthians e quando estava internado, ele pedia muito um autografo do Jadson, jogador do clube, mas eu não sabia como conseguir isso. Em Avaré, através do empresário Jota Cruz, o Pedro não só conseguiu o autografo no colete, como conheceu pessoalmente o Jadson e ainda entrou em campo com ele.

Eu sei que isso é só o começo. O futuro dele vai ser conseguir tudo o que ele sonha!

Para tudo Deus tem um propósito, mesmo a gente não entendendo. Acredito muito que tudo o que minha família passa com o Pedro tem um proposito maior, que é nos aproximar de Deus!”.

Pedro é muito lindo e eu já estou encantada e querendo muito conhecê-lo! AMEI DEMAIS ESSAS FOTOS NA PRAIA, precisamos ir juntos um dia! Com toda certeza vai conquistar tudo que sonha! Obrigada por ser uma inspiração à todos e parabéns aos pais e aos irmãos por todo suporte!

Com amor,

Tetê

Olhar com o coração

Ciao,

Um dos assuntos que mais converso com outras pessoas que têm escoliose é em relação à autoestima, ter vergonha de mostrar o corpo, de mostrar o colete, de usar uma roupa mais justa. Acho que de todos os pontos relacionados ao tratamento da escoliose esse é um dos mais importantes, se não o mais. Aceitar-se e aceitar tudo que virá pela frente, determina e muito o resultado de um tratamento de escoliose e eu sou prova disso. É muito, mas muito fácil, alguém de fora te falar para aceitar, que não precisa ter vergonha, mas só quem está ali, usando um colete ou com cirurgia e tendo que conviver com essas curvinhas, é que sabe tudo que passa pela cabeça, todas as inseguranças e medos! Fui muito feliz desde que descobri a escoliose pois nunca sofri nenhum tipo de preconceito, tanto no colégio como em outros lugares. Perguntas e curiosidades sempre existiram, mas sempre com muito respeito e aceitação. Porém, na maioria das vezes isso não acontece, muitas meninas e meninos com escoliose já sofreram e sofrem preconceito sim, seja devido ao colete, ao formato do corpo, à cicatriz de cirurgia, etc. O meu objetivo toda vez que faço essa caminhada na praia, onde meu colete fica mais exposto do que nunca, é mostrar que não importa o que os outros pensarão de ti, a única coisa que importa é você ser feliz, aceitar, agradecer e deixar fluir. Esse passeio foi extremamente especial pois aconteceu algo lindo. Enquanto minha mãe tirava algumas fotos, um menino de mais ou menos 6 anos, se aproximou, olhou pra mim sorrindo, pegou a minha mão e deu um beijo. Eu, totalmente surpresa e encantada com aquilo, também dei um beijo na mão dele e disse que ele era fofo e especial demais. Obviamente ele viu que eu estava diferente das outras pessoas, e qual foi a reação dele? Um gesto de carinho e amor, gesto de criança que só tem bondade no coração. São nessas pessoas que nós devemos pensar, por elas que devemos fazer acontecer, por essas pessoas de bem. E se por um acaso fizerem comentários infelizes, a melhor opção vai ser sempre o perdão e ter a certeza e a segurança de que você nunca estará sozinha ou sozinho, que existem muitos passando pelo mesmo e que maldade nenhuma atinge quem vibra na frequência do amor ❤️ 

Eu estou sempre aqui para qualquer dúvida e buscando cada vez mais mostrar o lado positivo de ter escoliose, buscando cada vez mais mostrar que a beleza mora dentro de nós, no nosso coração e isso ninguém no mundo pode tirar 🥰

Com amor,

Tetê

Parte de quem eu sou

Ciao,

Seguindo a vibe do último post falando sobre o uso do colete, segue as fotos com esse vestido que mostra o colete. Já tive vergonha sim de deixar ele aparecendo, mas com o tempo fui amadurecendo e percebi que esse era um peso que não precisava mais carregar e a partir do momento que eu assumi que TINHA ESCOLIOSE, QUE EU USAVA UM COLETE e isso não me fazia diferente de ninguém, tudo ficou bem mais leve e mais fácil de lidar!

Vestidito que por ser bem aberto nas costas, ajuda a amenizar o calor nesse verão!

Espero que gostem 🙂

Com amor,

Tetê

 

Parte de quem eu sou

Ciao,

Hoje vou falar sobre um assunto muito especial e importante pra mim: o uso do colete. Antes de tudo, volto a frisar que, CADA CASO É UM CASO, cada tratamento de escoliose é um tratamento e a última coisa que devemos buscar é generalizações quando o assunto é escoliose. No meu caso, comecei usar o colete com 13 anos de idade. Na época demorei um mês para conseguir usá-lo 23h por dia e depois dessa fase de adaptação consegui me acostumar super bem. Quando comecei meu tratamento, precisei parar o ballet, e no fundo sempre sonhava em voltar, por isso eu vi no colete uma chance a mais de melhorar e conseguir evitar a cirurgia. Com o passar dos anos, usei 10 coletes diferentes, porque eu crescia e portanto precisava trocá-los. As primeiras semanas com cada colete são sempre delicadas, só meus pais sabem o quanto era difícil e quantas vezes pensava em desistir achando que não ia dar conta. Porém, algo dentro de mim sempre me disse para nunca desanimar e eu sabia que logo logo aquele período chato passaria e eu me acostumaria com o colete, como seeempre aconteceu. Muitas meninas vêm me perguntar o porquê de eu, com quase 21 anos, ainda usar o colete. No meu caso, eu sempre encarei o colete como meu melhor amigo, como um amuleto, poderia até dizer assim, que protegia a minha coluna por onde quer que eu fosse, literalmente rs. Final de 2016, minha fisioterapeuta e eu conversamos a respeito de eu já estar pronta o suficiente para começar o período de retirada do colete. Fiquei extremamente feliz mas também fiquei insegura na mesma proporção. Sabe o frio na barriga do primeiro dia de aula no colégio? Aquele medo de abandonar a sua rotina e começar algo novo? Era isso que eu sentia. Será mesmo que eu vou conseguir diminuir o uso do colete? Logo o colete que me deixa tão segura? Será que minha escoliose vai piorar?

Eu decidi não responder essas perguntas, decidi levar essa nova fase do tratamento com leveza, com calma, no meu tempo, respeitando os sinais do meu corpo e da minha mente, assim como a Dra Patrícia havia me falado. Fui retirando o colete aos poucos, conforme via necessidade e me sentia segura. O resultado disso? Eu percebi que eu não preciso abandonar o uso do colete já, eu percebi que devido aos exercícios que faço a minha escoliose não vai piorar se por acaso eu ficar um dia inteiro sem usar o colete, eu percebi acima de tudo isso, que cada vez mais ter EQUILÍBRIO é o segredo. Hoje, dificilmente eu uso o colete 23h/dia, mas sim conforme vejo necessidade, eu escuto o que meu corpo e minha mente estão me pedindo, eu tento programar minhas atividades do dia-a-dia (principalmente quando não estou de férias), para assim poder saber quando o uso do colete vai ser mais conveniente, ou quando eu poderei tirar aquela folga hehe. O colete, conjuntamente com os exercícios trabalham na manutenção da minha curvatura, assim como a prática da natação e o tai chi chuan. Porém, a cada reconsulta apresento melhoras em muitos aspectos, pois não são só os graus que definem a melhora da escoliose (sempre bom lembrar).

Quanto tempo eu ainda usarei o colete? Não sei.. por enquanto sou imensamente feliz e grata em saber que posso fazer uso desse recurso que me auxilia desde sempre e continua ajudando tanto. Por hora, sigo sempre com muita fé, acreditando que tudo já deu certo.. sem estresse, sem cobrança, sem medo, mas com muita disciplina sim, porque a gente precisa disso pra manter essas curvinhas sempre “em ordem” hahah

E reforçando, isso funciona para mim, para o meu histórico de tratamento físico e também emocional. Generalizar, never 😉

Espero muuuuito poder ter ajudado e estou sempre à disposição para tirar dúvidas ou até pra desabafar, muitas vezes só quem tem escoliose entende quem tem escoliose né?!

ps.: tem post com o mesmo título mostrando uma roupa que aparece o colete.. já que não temos que ter vergonha de mostrar quem somos! o link esta aqui

Com amor,

Tetê

 

 

Convivendo com escoliose

Ciao,

Tenho recebido algumas mensagens perguntando a respeito de como lido com a escoliose, que tratamento eu faço, exercícios e o porquê de eu ainda usar o colete. Bom vamos começar pelo tratamento. Faço exercícios do método  SEAS, através do Instituto Projeto Escoliose Brasil, do Rio De Janeiro. Já fiz um post falando sobre o método, é só clicar aqui. Vou a cada 6 meses para o Rio reformular a série de exercícios, baseado em como minha curvatura e meu corpo reagiram aos exercícios anteriores. Faço esses exercícios diariamente, em casa, e não levam mais que 45 min. Como já conheço muito bem meu corpo e a minha escoliose, consigo nitidamente perceber o quanto essa prática me ajuda, não só em relação à curvatura em si, mas também em relação ao equilíbrio, simetria, consciência postural, corporal e mental. Isso tudo devo aos anjos Patricia Mentges, Alessandra Amorim e Hector Catalán , do Projeto Escoliose, que zelam por essas curvinhas como se fossem deles hahah.

Quanto às outras atividades físicas, pratico natação e Tai Chi Chuan. A natação me auxilia muito na questão da melhora da minha respiração e da resistência corporal. Quanto ao Tai Chi Chuan, procuro estar sempre em autocorreção postural enquanto realizo os movimentos da forma. Além disso, o Tai Chi tem uma filosofia na qual nada deve ser exagerado, tudo ao seu limite, uma parte do corpo ajudando a outra, algo extremamente importante e que sigo também nos exercícios do método SEAS. A natação e o Tai Chi, muito mais que me ajudarem fisicamente, fazem um bem gigantesco para a minha mente, é como uma terapia!

Enfim, ter escoliose pra mim, é um aprendizado diário. Tudo que acontece na nossa vida é por uma razão, nada é gratuito, e acredito que o fato de eu ter essas curvinhas também não. Por isso que agradeço sempre, por todo aprendizado, amadurecimento e conhecimento.. experiências essas que certamente teriam ocorrido de maneira totalmente diferente se eu não tivesse escoliose. Temos a tendência de tentar achar resposta pra tudo que acontece na nossa vida, temos a mania de pensar demais.. sabe, não precisamos disso! A partir do momento que começarmos a levar a vida com leveza, aceitando os desafios que se apresentam com a certeza que JÁ DEU TUDO CERTO, seguindo o fluxo, e acima de tudo, fazendo o bem, ouvindo seu coração e agindo com amor, tudo que tiver que acontecer, acontecerá no momento certo, na hora que estivermos preparados. Depois que encarei toda a situação dessa forma, não só quanto à escoliose, tudo ficou bem mais fácil.

Quanto ao uso do colete… bom, merece uma postagem a parte, a minha relação com ele é algo que quando começo pensar, da vontade de chorar {de alegria claro}! Eu nunca imaginei que estaria há sete anos fazendo uso dele, e eu nunca imaginei também que poderia transformá-lo em algo tão natural no meu dia-a-dia!! Aguardem que logo logo tem textão sobre hehe!

Estou sempre aberta para qualquer dúvida e para ajudar no que eu puder!!

Com amor,

Tete

Roberta Deodato

Ciao,

Muito feliz que hoje contarei a história de uma guerreira lá da Itália! Conheci a Roberta pelo instagram e começamos a conversar por lá! Ela, sempre muito fofa e querida! Há pouco tempo postou uma foto da cicatriz da sua cirurgia com um texto lindo, eu não poderia deixar de pedir se poderia postar aqui, e ela autorizou! Segue o texto traduzido e também o orginal! Roberta, sei molto brava e ha un bel cuore, un esempio per noi!

“28 • 11 • 2017 ~ 28 • 11 • 2018

Um ano atrás, neste momento, e eu estava entrando na sala de cirurgia. Um ano ou atrás, neste exato momento, eu estava prestes a tomar uma das mais importantes e mais belas decisões da minha vida …… Ainda hoje, depois de todo esse tempo, não consigo expressar meus sentimentos, meus pensamentos naquele momento; eu estava curiosa e assustada ao mesmo tempo, insegura mas forte. No entanto, hoje, um sentimento pode certamente ser o mais certo entre todos: GRATIDÃO e ESTIMA para mim mesma e para aqueles que estiveram perto de mim. Recebo mensagens, pedidos de informação, de apoio de muitos meninos e meninas de todo o mundo; nunca imaginei que minha experiência pudesse ser tão útil para os outros, como foi para mim. Sempre achei que seria difícil “ser diferente”, ter uma história “particular” para contar, porque você nunca sabe o que esperar dos outros. Em vez disso, um ano depois dessa forte escolha, que me mudou em muitos aspectos, posso dizer que estou orgulhosa da pessoa que estou me tornando e de estar ciente de que minha história, minha VIDA, será especial”.

“28•11•2017 ~ 28•11•2018
Un anno fa, in questo preciso momento, stavo entrando in sala operatoria. Un anno fa, in questo preciso momento, stavo per compiere una delle decisioni più importanti e più belle della mia vita……
Ancora oggi, dopo tutto questo tempo, non riesco ad esprimere le mie sensazioni, i miei pensieri in quel momento; ero curiosa e spaventata nello stesso tempo, insicura ma forte. Però, oggi, un sentimento può essere sicuramente il più certo fra tutti: GRATITUDINE e STIMA verso ME STESSA e verso coloro che mi sono stati vicino.
Mi arrivano messaggi, richieste di informazioni, di sostegno da molti ragazzi e ragazze da ogni parte del mondo; non avrei mai immaginato che la mia esperienza potesse essere cosi talmente d’aiuto per gli altri, così come lo è stato per me. Ho sempre pensato che sarebbe stato difficile “essere diversi”, avere una storia “particolare” da raccontare, perché non sai mai cosa aspettarti dagli altri. Invece ora, ad un anno da questa scelta così forte, che mi ha cambiata su molti aspetti, posso dire di essere orgogliosa della persona che sto diventando e di avere la consapevolezza che la mia storia, la mia VITA sarà speciale”.

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Quanta maturidade, quanta clareza e quanto amor pela sua história e pela escoliose ❤️ Obrigada por ser uma inspiração!

Con amore,

Tete

 

Natália Costa

Ciao,

A guerreira da escoliose de hoje é a maravilhosa Natália! Tenho certeza que a história e o modo de ela ver a vida vai ser uma inspiração e tanto pra esse início de semana! Fico sempre emocionada quando encontro pessoas tão incríveis, especiais e iluminadas quanto você Nati! Que exemplo, só tenho a agradecer por ter te conhecido pelo Instagram e por agora poder compartilhar a sua experiência com a escoliose aqui!

Segue o texto {lindo} da Nati:

“Oi gente, meu nome é Natália, tenho 23 aninhos e sou portadora de escoliose congênita. Só foi possível ser notada a deficiência a partir dos 2 anos de idade, quando meu tórax começou a se aprofundar. Passei por diversos médicos, fiquei meses internada em hospitais e tudo isso prejudicou minha infância e estudos. Os médicos falavam que eu iria viver somente até os 12 anos. Foram vários dias difíceis, mas eu consegui suportar e assim me convencer que posso sim ter uma vida com uma curvinha, com um buraquinho entre meus seios, com uma coluna alta e com ombros inclinados.
Eu amo tirar fotos e mostrar para as pessoas como sou, e que não tenho vergonha alguma de ser eu mesma. Quem me conhece sabe que 99,9% da minha vida eu vivo com alegria e gratidão a vida, e assim fica tudo mais fácil.
Viemos para fazer a diferença nesse mundo tão igual.
Grata à Deus pela minha VIDA! 🌻”.

 

Linda, linda, linda! Obrigada mais uma vez e parabéns por ser essa pessoa tão especial e inspiradora! “Viemos para fazer a diferença”.. que essa diferença seja sempre regida pelo amor ❤️

Ps.: Sei que estou em débito por aqui, mas realmente a vida tá uma correria.. porém nas férias vocês vão enjoar de mim rs, prometo muitos posts legais!

Com amor,

Tete

Catia Pestana

Ciao,

O depoimento que trago hoje vem diretamente de Portugal, de uma guerreira super mega alto astral que foi querida demais me mandando algumas fotos e escrevendo essas palavras de incentivo para todxs nós que vivemos com essas curvinhas ou com cicatriz!

“Antes de mais, parabéns a todos nós guerreiros. A minha escoliose surgiu quando eu tinha 15 anos. Actualmente tenho 39 anos. Ao início foi muito difícil aceitar a curva (fase de adolescência, ser diferente, não saber o que vestir e vergonha de andar na rua e que as pessoas reparassem no meu problema. Contudo, tive sempre a minha família me apoiando. Nunca fiz cirurgia, porque moro numa Ilha (Ilha da Madeira que pertence a Portugal), onde na altura, a minha escoliose era uma incógnita para os médicos). Não tive possibilidade financeira de sair da Ilha para procurar conselhos de especialistas peritos na área. A idade foi avançando e aprendi a gostar de mim e da minha curva. De vez em quando vou abaixo, mas ultrapasso esse momento menos bom, me lembrando sempre que existe sempre alguém pior que eu (lutando pela vida e a morte; pessoas que já tiveram visão e a perderam; pessoas sem membros; pessoas paraplégicas; pessoas lutando por doenças). E um bem haja a estas pessoas! Levanto-me a aplaudo as mesmas por enfrentarem problemas sérios de saúde e às que infelizmente por diversas circunstâncias deixaram de poder andar, ver, etc…! Parabéns a todos os guerreiros portadores de escoliose e não só!
Não sabia que fotos escolher, escolhi várias… fotos entre amigas(os), sozinha, do meu raiox, do meu melhor amigo e namorado (a pessoa que me aceita como sou e me apoia em todos os momentos e cuida de mim sempre), a foto com o meu cão que infelizmente faleceu com 1 ano de vida e faz-me imensa falta, enfim…. fotos que fazem gostar de mim. Fotos que podem servir de apoio às adolescentes que passam pelo o que eu já passei. Que lhes sirva de exemplo que não devemos esconder as nossas curvas e não nos descuidarmos do nosso visual. Com 39 anos, sinto-me linda. E gostava que todas as meninas se sentissem assim. Que não esperassem tantos anos como eu esperei, para perceberem que são lindas. Um grande beijo de alma e coração a todos Vós! ❤💙 ”.

Catia querida! És uma inspiração de positividade para todos nós! Obrigada do fundo do meu coração pelo depoimento!

Com amor,

Tete